Portal Rincão

Tag : Senado

Política

OAB/SC vai pressionar Senado por análise de impeachments e cobrar que STF examine afastamento de Moraes e Gonet

Fabricio

Em reunião extraordinária do Conselho Seccional e do Colégio de Presidentes de Subseções, realizada de forma virtual, a OAB/SC decidiu pela adoção de uma série de medidas por conta da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. Dentre elas, pressionar o Senado para que analise os pedidos de impeachment pendentes contra ministros do STF e o procurador-geral da República, e cobrar do STF a análise do afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Um ato institucional em defesa da Constituição e do Estado de Direito também deve ser realizado no dia 17 de setembro, às 14h, na sede da OAB/SC e em todas as 53 Subseções no interior do Estado. A posição da Seccional será levada ao Conselho Federal da OAB com requisição de convocação de sessão extraordinária para deliberação sobre posição nacional da Ordem e adoção das medidas propostas por Santa Catarina.

A OAB/SC exige apuração integral dos fatos e o mesmo rigor no devido processo. A entidade defende que os fatos sejam apurados com o mesmo padrão de prova, prazo e seriedade para todas as autoridades notificadas, sem seletividade, e reforça que a sua atuação não constitui manifestação contra pessoas, mas afirmação de princípios de apuração isenta, simétrica e transparente.

“Desde janeiro esta Seccional vem alertando o país sobre os riscos da concentração de poder no STF e cobrando mandato fixo, fim das decisões monocráticas e regras rígidas contra conflitos de interesse. O que hoje se vê não é mais alerta, é sintoma grave de um problema que a advocacia já apontava. Chegou a hora de agir, e a OAB/SC não vai recuar, frisa o presidente da OAB/SC, Juliano Mandelli, ao recordar que a instituição teve atuação pioneira em realizar um estudo técnico para a reforma do STF.

O documento foi levado ao Conselho Federal da OAB e propõe o fim da vitaliciedade dos ministros, com mandatos fixos de 12 anos; limitação das decisões monocráticas, com julgamentos colegiados pelos 11 ministros; novo processo de escolha dos ministros, com participação de listas formadas por OAB, magistratura e Ministério Público; ampliação do quórum de aprovação no Senado para três quintos dos parlamentares; e a criação de um Código de Ética e Conduta para regras objetivas sobre conflitos de interesse.

Medidas que serão tomadas pela OAB/SC:

  • Cobrança formal ao Senado Federal pela análise dos diversos pedidos de impeachment pendentes contra ministros do STF e do procurador-geral da República, cuja tramitação prolongada contribui para a insegurança institucional.
  • Cobrança para que autoridades citadas nos processos se abstenham de praticar atos que as envolvam diretamente, em respeito ao princípio da imparcialidade.
  • Cobrança para que o STF examine o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com base em fundamentos ético-principiológicos distintos da via processual penal.
  • Realização de ato institucional em defesa da Constituição e do Estado de Direito, marcado para o dia 17/09, às 14h, com adesão conjunta da Seccional e das 53 subseções em todo o Estado.
  • Instalação de Comissão Especial Temporária de acompanhamento, com a atribuição de monitorar as respostas à Petição 16.704 (procedimento de apuração instaurado pelo presidente do STF) e a manifestação do Plenário do STF sobre a Petição 16.662, subsidiando tecnicamente a atuação da entidade.
  • Proposta ao Conselho Federal da OAB para que encampe, em âmbito nacional, a proposta de reforma do STF já apresentada pela OAB/SC.
Política

Relator da CCJ do Senado vota a favor da PEC do fim da escala 6×1

Fabricio

O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou, nesta quinta-feira (27), o relatório da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais no Brasil.

Como o próprio parlamentar já havia anunciado anteriormente, ele manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as 12 emendas apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O texto será apreciado pelo colegiado na próxima semana, durante o último esforço concentrado do Congresso Nacional para a votação de matérias legislativas antes das eleições, no dia 4 de outubro.

>> Veja o que prevê o texto da PEC:

  • Dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos
  • Salário não poderá ser reduzido por causa diminuição da jornada
  • Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima passa das atuais 44 para 42 horas semanais.
  • Um ano depois do fim desse primeiro período, cai definitivamente para 40 horas.

A manutenção do texto como veio da Câmara evita que eventuais alterações da proposta pelos senadores obrigassem o retorno da matéria para uma última análise dos deputados.

A tramitação da matéria, aprovada no fim de maio na Câmara, só foi destravada há pouco mais de 10 dias, após uma reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Já nesta última quarta-feira (26), um almoço entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), selou a pauta de votação para o esforço concentrado da próxima semana.

Apesar de garantir a votação da PEC do fim da escala na CCJ, o presidente do Senado foi cauteloso e não prometeu que o texto possa ser votado em Plenário.

Na Câmara, a PEC do fim da escala, que tem forte apelo popular, foi aprovada em dois turnos por amplas margens de votação: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

A previsão é que a CCJ do Senado vote o texto na próxima quarta-feira (2). Se a comissão aprovar o parecer, a PEC ainda precisará passar pelo Plenário do Senado em dois turnos, com o mínimo de 49 votos favoráveis em cada votação.

Argumentos do relator

Um dos principais argumentos apresentados por Omar Aziz para manter o parecer favorável à PEC é o de que as jornadas superiores a 40 horas atingem principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade.

O parlamentar usou estatísticas de uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseada em informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, que apontam que 80% dos vínculos com jornada superior a 40 horas têm salário contratual de até dois salários mínimos, enquanto 90% recebem até três salários mínimos.

Também sustentou que mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menos cumprem jornada superior a 40 horas semanais, proporção que cai para 53% entre os de ensino superior completo.

“A jornada prolongada não é, portanto, fenômeno neutramente distribuído na estrutura produtiva: recai de modo desproporcional sobre os trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. Reduzi-la é, nessa exata medida, providência de justiça distributiva, e não apenas de política laboral”, argumentou.

Aziz também defende a mudança como forma de reduzir os efeitos negativos de jornadas extensas. O parecer afirma que períodos maiores de descanso contribuem para a recuperação física e mental, além de reduzir a exposição a situações de adoecimento e acidentes de trabalho.

O relator rejeitou todas as emendas apresentadas, incluindo aquelas que buscavam manter a jornada de 44 horas semanais, permitir jornadas superiores às 40 horas por meio de negociação coletiva, alongar o período de transição para a nova jornada ou adiar a entrada em vigor dos dois dias de repouso semanal.

Fonte: Agência Brasil

Este site utiliza cookies para melhorar a sua experiência. Presumimos que você esteja de acordo com isso, mas pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Leia Mais